Eu não sou uma ‘sabichona’.

De antemão já peço que me desculpem pelo desabafo do post de hoje e pelo tom zangado. Sobretudo aos que sei que não agem como o descrito abaixo. Mas, certas coisas não devem ser ignoradas.

É triste constatar que muita gente da DV, que se diz profissional, bota a carinha nas redes sociais e blogs, diz que quer “ouvir a sua opinião”, mas ainda não sabe receber pontos de vista diferentes dos seus e, atrapalhadamente,  acolhem os mesmos como ofensas pessoais. Mais triste é ver esses “pensadores”  depreciarem o tempo de estudo e de docência que o outro tem e eles ainda não. Pior é ve-los debochar da fragilidade do outro que se opõe à eles, expondo-o numa ação covarde e cruel. Chego a pensar em qual seria o motivo dessa intolerância toda (alguns motivos eu até sei, mas não é o caso citá-los aqui, desviaria o assunto).

Também acho extremamente preocupante ver uma certa quantidade de pessoas aplaudir os “achismos” dessses pseudo-profissionais como se fossem a última verdade sobre os assuntos, sobretudo nos que se referem à área da docência na dança (como se última verdade existisse!). E se você se atreve a confrontar esses achismos corre o risco de ser visto como arrogante, acusado de querer impor verdades, exibicionista… Como falta à essas pessoas maturidade para falar em público! Como é urgente à elas o discernimento de que discordar de suas opiniões não significa estar “perseguindo-as”!

Que tipo de (des)serviço esses atores das redes sociais e dos blogs tem prestado à dança do ventre com essas atitudes?

Será que realmente estão passando desapercebidos ? Não é o que ando vendo. Há cada vez mais espaço e receptividade para esses despreparados “consultores de dança”. Consequentemente, cada vez mais pessoas internalizando ideias deturpadas e tendenciosas.

Mas olha… Embora tudo isso me desanime profundamente, não chega a extinguir minha vontade de falar e de dizer o que está desandando no nosso meio. Eu estaria sendo conivente com as atitudes dessa galera se ficasse quieta. Por isso, quando o assunto é a “minha praia” eu falo e continuarei falando até quando o Universo permitir. Sei que muita coisa ainda me espera para viver e aprender, por isso sempre estive aberta, de verdade, a ouvir opiniões contrárias as minhas. Entretanto, debater sobre algo que sei é algo que não me intimida. Saber não me envergonha.

Lembro que quando ainda era uma graduanda em Pedagogia, ouvi de uma das professoras mais competentes que conheci em toda a minha vida que não devo pedir desculpas pelas coisas que sei,e sei porque as estudei e vivi. Não, não devo e não vou. Não me desculpo por ter lido, por ter acertado depois do erro, por ter refletido e aprendido . E que fique claro, isso  nada tem a ver com o rótulo de “dona da verdade” que os apressados adoram colocar. Tem a ver com defender algo que você ama e pelo qual se sente responsável. Tem a ver com honrar os anos em que me dediquei e dedico ao estudo da dança, de corpo e de processos de ensino-aprendizagem (e também de todas as interfaces que cada uma dessas áreas demanda estudar). Se isso incomoda alguém, o problema não é meu, é da pessoa. Que ela vá estudar também.

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